Dentre as gramáticas produzidas pelos romanos, a mais famosa foi a de Prisciano, que influencia a GT (Gramática Tradicional) até hoje.
Praticamente durante todo período medieval a gramática de Pisciano foi a adotada por estudiosos e professores. Os estudos linguísticos não tiveram muita produção neste período. Só por volta do séc. IX d. C. é que começam a aparecer textos escritos nas novas línguas vernáculas, dentre elas o português. Línguas estas que surgiram devido as variedades do latim falado e com a desintegração do império romano, fato que gerou contato com muitos outros povos.
Vernáculo é o nome que se dá à língua nativa de um país ou região. Na Europa ocidental as publicações de estudos científicos, religiosos ou filosóficos eram feitas em latim. Os escritos em outras línguas locais, como alemão, italiano espanhol eram denomidados escritos vernáculos, dando origem ao termo línguas vernáculas.
Essas línguas floreceram nos anos seguintes com a poesia provençal, os romances de cavalaria e as obras de poetas como Dante, com a sua Divina Comédia. No século XV podemos dizer que elas passaram a ser usadas fora dos mosteiros, quando comerciantes e governos as adotaram também.
O latim permaneceu na escrita acadêmica até o séc. XVII, nas atividades diplomáticas até o séc. XVIII, nos rituais religiosos e na redação de documentos oficiais da Igreja Romana é usado até hoje.
Com todas essas mudanças, foi no séc. XVI que surgiu a necessidade de se realizar estudos dessas línguas, descrevê-las e registrar as formas de uso das mesmas, pois estavam se tornando línguas imperiais, principalmente o português e o espanhol.
Neste século escreveram-se as primeiras gramáticas, os dicionários e as resoluções ortográficas das novas línguas, a gramática de Prisciano serviu de modelo aos gramáticos.
A primeira gramática castelhana foi de Antônio de Nebrija em 1492, para, segundo ele, fixar e difundir a língua pelo império que começava a ser constituído.
A gramática mais famosa do português nesta época foi a de João de Barros, em 1540.
No séc. XX a ortografia se torna um assunto de Estado, como até hoje em dia, é o governo que fixa, modifica e impõe as leis ortográficas. O primeiro dicionário de português surgiu em 1562 e era português-latim-português, de autoria de Jerônimo Cardoso. Só em 1789 surgiu o primeiro dicionário de língua portuguesa, organizado por Morais e Silva.
O objetivo dessas primeiras gramáticas era fixar um padrão de língua a ser seguido, e era feito a partir da língua falada pela aristocracia e da escrita de autores clássicos. Cria-se então a norma padrão, a ser respeitada e seguida por todos. São as gramáticas chamadas normativas ou prescritivas, que ditam o que está certo ou errado.
A problemática em relação à norma padrão de uns anos pra cá reside justamente no aspecto arcaico da mesma. No início a norma foi formulada a partir e para uma elite, contudo, as mudanças socio econômicas com a industrialização e a urbanização deram a população acesso à escola, e esse modelo arcaico de língua já não é mais aceito. Essa é uma das razões da dicussão entre gramáticos tradicionais e linguístas atualmente.
Fonte: Carlos Alberto Faraco (linguísta)
Acho que as gramáticas devem sofrer modificações, na verdade já sofreram algumas, mas isso é assunto para outro dia!!!! Por ora queria apenas dar uma pequena visão da história de nossas gramáticas.
A principal intensão do blog é justamente estudar e expor as regras contidas nas grmáticas, pois elas são necessárias em várias ocasiões de nossas vidas.
Espaço para apresentar, discutir, estudar, aprender, concordar, discordar, examinar e rever tudo a respeito da gramática de nossa língua.
Como estou iniciando meus estudos no fascinante mundo da gramática, usarei este espaço para postagens relacionadas ao tema. Críticas, sugestões e discussões serão aceitas!
CITAÇÃO:
" A sintaxe tem sua economia interna, suas leis póprias. A essa grande senhora, sem a qual não pode passar, recorre o homem para realizar seu fascinante jogo na armação do pensamento."
Flávia de Barros Carone
CITAÇÃO:
" A sintaxe tem sua economia interna, suas leis póprias. A essa grande senhora, sem a qual não pode passar, recorre o homem para realizar seu fascinante jogo na armação do pensamento."
Flávia de Barros Carone
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
História da Gramática ( continuação)
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